Em CPI, engenheiro diz que diretoria da Vale sabia de risco de barragem em Brumadinho

O engenheiro de Recursos Hídricos da Vale afirmou que a diretoria da empresa foi avisada sobre o risco

  • Por Jovem Pan
  • 24/04/2019 09h13
Marcos Oliveira/Agência SenadoO funcionário foi ouvido nesta terça-feira (23) na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado

O engenheiro de Recursos Hídricos da Vale, Felipe Figueiredo Rocha, afirmou que a diretoria da empresa foi avisada sobre risco de rompimento da barragem B1, na Mina Córrego do Feijão.

O funcionário foi ouvido nesta terça-feira (23) na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que apura as causas do rompimento em Brumadinho. O pedido para ouvir Felipe Figueiredo Rocha se baseou na informação do Ministério Público de que ele, em uma reunião interna da mineradora, apontou a situação de algumas barragens.

Felipe Rocha confirmou que foi feita uma apresentação sobre os riscos das barragens da empresa em zona de atenção, na qual citava a barragem B1. Segundo ele, os avisos foram dados em um painel de especialistas, com representantes da geotecnia da empresa. No entanto, ele disse que não poderia afirmar se as informações sobre o risco chegaram ao presidente afastado da Vale, Fabio Schvartsman.

Segundo Rocha, apesar dos relatórios, os funcionários da área geotécnica não demonstraram preocupação com um possível rompimento. O engenheiro disse que seu único compromisso é com a verdade e informou que paga sua própria advogada.

Em fevereiro, Felipe Rocha chegou a ficar preso durante cerca de 15 dias, no âmbito das investigações para apurar as responsabilidades no rompimento da barragem.

A CPI de Brumadinho também ouviu nesta terça-feira o geólogo da Vale, César Augusto Paulino Grandchamp, que assinou a declaração de condição de estabilidade da barragem 1. Ele negou que tinha conhecimento sobre riscos da barragem.

Outro convocado para ser ouvido pela CPI, o engenheiro Arsênio Negro Júnior, auditor da empresa alemã Tüv Süd, se negou a responder as perguntas dos senadores. Ele apresentou um habeas corpus para permanecer em silêncio. O engenheiro foi chamado para esclarecer se a empresa havia sido pressionada para assinar os laudos de estabilidade das barragens da Vale.

*Informações da repórter Victoria Abel