Especialista vê ‘descaso’ em implantação de sistema de segurança de barragem em Brumadinho

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2019 10h06
Antonio Lacerda/EFE"Tem que colocar o sistema de prevenção, simular, ensinar as pessoas. Alguma coisa de muito descaso houve na implantação desse sistema de monitoramento”, disse

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, afirmou nesta quinta-feira (31) que a rapidez do rompimento da barragem em Brumadinho impediu que sirenes de emergência tocassem. Segundo o executivo, “a sirene foi engolfada pela barragem antes que pudesse tocar”.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o professor titular de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da USP, Sérgio Médici de Eston, afirmou que a sirene é a “pontinha do iceberg” na questão da possibilidade de vidas serem salvas e que houve descaso na implantação do sistema de monitoramento da barragem.

Segundo Eston, deveriam haver mais sirenes no caminho a ser percorrido pela lama. Ou seja, deveria ser previsto que, com o rompimento da barragem a lama avançaria por determinados locais. “Quando está com equipamento de prevenção, a coisa mais importante é fazer teste. Que eu saiba não teve nenhum teste. A sirene toca, mas as pessoas precisam saber a direção para onde fugir. Colocar sirene não é isso. Tem que colocar o sistema de prevenção, simular, ensinar as pessoas. Alguma coisa de muito descaso houve na implantação desse sistema de monitoramento”, disse.

O especialista destacou ainda que há como fazer a prevenção de um eventual rompimento de barragem com base no acompanhamento de parâmetros críticos. “Pega um parâmetro e fica acompanhando. Pode ser pressão da água, vazão, escolhe um e monitora. Desastres de Deus, como terremotos, raios, são coisas que a engenharia não controla, mas o resto precisa de equipamento testado regularmente. As sirenes têm que ser projetadas para funcionar acompanhando o parâmetro crítico”, explicou.

Sobre a periodicidade do acompanhamento, Sérgio Médici de Eston recomendou que fossem feitos todos os dias. “Pode acontecer alguma coisa em 24h. Quanto mais crítica a situação, mais frequente o acompanhamento deve ser. Em barragem deveria ser todos os dias e fazer gráficos para prever o que vai acontecer, e às vezes, para impedir que aconteça”, finalizou.

Confira a entrevista completa com o engenheiro civil Sérgio Médici de Eston: