Ex-embaixador critica Brasil como aliado extra-OTAN dos EUA: ‘Não ganha nada e perde muito’

  • Por Jovem Pan
  • 20/03/2019 09h38
Alan Santos/PR"Estamos comprando inimigos e compramos de uma só tacada todos os inimigos dos americanos sem nenhuma vantagem", disse Ricupero

Na viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que pretende tornar o Brasil um aliado prioritário de seu país. Neste mesmo “grupo” estão Israel, Argentina e Austrália. Os termos para tal inclusão, entretanto, não foram oficializados.

Ser um aliado extra-OTAN aproximaria militarmente o Brasil dos EUA e, com isso, o Brasil conseguiria: tornar-se comprador preferencial de equipamentos e tecnologias militares dos EUA, participar de leilões organizados pelo Pentágono, e ganhar prioridade para promover treinamentos militares com as Forças Armadas norte-americanas.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador em Washington, Rubens Ricupero, afirmou que o Brasil “não ganha nada e perde muito” com essa posição. “Perde autonomia, aceita comprar sem nenhuma vantagem toda agenda americana de estratégia e segurança. A agenda americana é contenção da China e hostilidade à Rússia, Irã e luta contínua contra o terrorismo islâmico, nenhum desses problemas são do Brasil. Estamos comprando inimigos e compramos de uma só tacada todos os inimigos dos americanos sem nenhuma vantagem, porque a China e Irã são mercados importantes para produtos brasileiros”, disse.

Para Ricupero, não há racionalidade nesse tipo de aliança. “Aliado ou aliança é sempre que se faz para proteger o país para uma guerra. Qual ameaça que paira sobre o Brasil por parte de China, Rússia e Irã? Não tem nenhuma racionalidade a não ser ideologia de direita”, criticou.

Rubens Ricupero avaliou a viagem de Bolsonaro aos EUA com característica principal de dominação da ideologia de direita. “A preocupação com posições americanas prevalece sobre qualquer interesse de ordem prática. É um parceiro que não tem nada a nos aportar, que hostiliza outros países”

Confira a entrevista completa com o ex-embaixador Rubens Ricupero: