Falha na principal corretora de bitcoins do Brasil deixa investidores preocupados

  • Por Jovem Pan
  • 14/03/2018 06h35
Michael Wuensch/PixabayA FoxBit, uma das principais exchanges do país, confirmou que 31 bitcoins foram sacados irregularmente do sistema entre os dias 8 e 12 de março

Após falha, maior corretora de bitcoins do Brasil explica perda de mais de R$ 1 milhão. A FoxBit, uma das principais exchanges do país, confirmou que 31 bitcoins foram sacados irregularmente do sistema entre os dias 8 e 12 de março.

Como a moeda virtual está sendo comercializada por R$ 35 mil, a projeção é que o prejuízo tenha superado R$ 1 milhão.

A quantia foi extraída durante uma falha nos bancos de dados utilizados pela corretora, que permitiu que usuários fizessem saques duplicados. Dessa forma, investidores puderam retirar mais dinheiro do que realmente possuíam nas contas.

Diante do problema, as atividades do sistema foram suspensas por tempo indeterminado. Em coletiva na internet nesta terça-feira (13), o diretor de operações da FoxBit, Guto Schiavon, explicou a falha: “houve um bug, situação não prevista e saques foram duplicados, mas prontamente a gente identificou. Não é hora de procurar culpados, mas de resolver problemas e voltar a plataforma ao ar”.

O COO da Fox Bit destacou que os dados e os valores contidos nas carteiras dos usuários não foram alterados.

Para o presidente da comissão de empreendedorismo e startups da OAB de Pinheiros, Rodrigo Borges, a tecnologia dessas empresas ainda está em desenvolvimento: “são empresas muito recentes, novas e mecanismos de tecnologia estão sendo desenvolvidos dia a dia”.

Rodrigo Borges destacou que assim como os problemas em corretoras asiáticas, o caso da FoxBit não tem relação com falha de segurança envolvendo o sistema blockchain.

Também nesta terça-feira, um desdobramento da Lava Jato detectou um novo uso dos bitcoins. Pela primeira vez foi descoberto o uso das moedas virtuais na lavagem de dinheiro.

De acordo com a Receita Federal, o ex-secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, César Rubens Monteiro de Carvalho, e o diretor-geral da Polícia Especializada, Marcelo Martins, usaram bitcoins para driblar os órgãos públicos de controle financeiro.

O especialista em Sociedade Digital da Jovem Pan, André Miceli, destacou a importância da descoberta do caso de lavagem de dinheiro: “é simbólico, porque é primeira vez que esse tipo de situação foi pega e vai acender questões relativas a regulamentação”.

André Miceli destacou ainda que não existe uma lei que determine um tipo de acesso às informações das criptomoedas.

Nesta semana, o banco de investimentos Goldman Sachs voltou a alertar para mais uma queda no mercado. A expectativa é que o bitcoin encolha mais 35% nas próximas semanas.

*Informações do repórter Matheus Meirelles