Falhas em hospitais provocam seis mortes por hora no Brasil, aponta estudo

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2018 06h20
PixabayPara os pesquisadores, é necessário enfrentar os problemas assistenciais e gerenciais das estruturas de saúde do Brasil

A cada hora, seis pacientes morrem por erros e falhas nos hospitais no Brasil e, dessas mortes, quatro poderiam ser evitadas. Isso é o que mostra o Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar feito pelo Instituto de Pesquisa da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.

Para os pesquisadores, é necessário enfrentar os problemas assistenciais e gerenciais das estruturas de saúde do Brasil, e aperfeiçoar o sistema com a participação da população.

Para Renato Couto, médico e professor da Faculdade que desenvolveu o levantamento, os eventos adversos são inerentes a qualquer serviço de saúde, inclusive pela evolução da medicina, que propicia novas e diversas formas de atuar contra as doenças. “A questão central é o tema ser prioridade da sociedade. Não adianta hospital querer mudar, porque ele está em cadeia produtiva. É necessário que a sociedade faça opção de prioridade e a prioridade ser segurança. A Medicina só ficou perigosa porque ficou boa”, disse.

A proposta dos pesquisadores está na criação de uma agenda focada em investimentos em processos e controles, e em políticas públicas de qualidade assistencial e de segurança do paciente, como explicou o médico Renato Couto.

A ideia não é buscar culpados, mas sim garantir transparência do sistema de saúde para que os usuários possam fazer as melhores escolhas. O ponto principal é combater a perda de vidas, mas os eventos adversos também consomem recursos.

O Anuário mostra que esses eventos consumiram R$ 10,6 bilhões apenas do sistema privado de saúde, sem contar o SUS. De acordo com o estudo, cada evento adverso grave determina a extensão do período de internação em 16,4 dias para pacientes do SUS e 10,5 dias para pacientes na rede privada. Sanear os eventos adversos é salvar vidas e melhorar a gestão, garantindo leitos, tratamento e procedimentos a mais pessoas e evitando desperdício.

*Informações do repórter Fernando Martins