Famílias venezuelanas lutam para conseguir medicamentos e cirurgias para crianças

Maduro disse que os programas de assistência humanitária da PDVSA foram afetados por um bloqueio financeiro dos EUA

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2019 08h53
Priscilla Torres/Estadão ConteúdoA advogada Katherine Martinez, que representa os pacientes, diz que, de setembro para cá, sete crianças que esperavam por transplantes já morreram

Na Venezuela, famílias lutam para conseguir medicamentos e cirurgias para crianças doentes. Faz quatro anos que o câncer faz parte da vida do pequeno Zabdiel, de apenas cinco anos de idade, que vive na Venezuela. Ele tem leucemia linfoblástica, um tipo de câncer raro que afeta as células do sangue.

As chances de cura de Zabdiel dependem de um transplante de medula óssea que o governo venezuelano desistiu de pagar, colocando a culpa nas sanções impostas pelos Estados Unidos.

O menino não consegue nem ter acesso aos remédios que precisa; já chegou, inclusive, a receber medicamentos vencidos. E teve uma recaída.

A mãe de Zabdiel, Ani Camacho, conta que a petroleira estatal da Venezuela, PDVSA, chegou a confirmar, em dezembro do ano passado, que o transplante seria feito, graças a um doador de medula encontrado na Itália. Mas, em janeiro, a empresa disse que o filho de Ani não poderia mais sair do país pra fazer a cirurgia por causa do bloqueio econômico. Disseram que não havia mais dinheiro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que os programas de assistência humanitária da PDVSA foram afetados por um bloqueio financeiro dos Estados Unidos, que vai parar de comprar petróleo bruto como uma forma de pressionar Maduro a deixar o poder.

Mas em 2017, antes das sanções, a Venezuela já sofria com a falta de remédios, que ficou pior com a queda nos preços e na produção de petróleo.

Jerson Torres é outro jovem que sofre com a falta de cuidados na Venezuela. Ele tem aplasia medular, uma doença em que a medula deixa de produzir as células do sangue. A mãe dele, Verioska Martinez, explica que precisa tirar o filho da Venezuela, mas que o governo diz que os acordos com outros países foram suspensos por causa das sanções econômicas. Enquanto isso, as fundações dos outros países dizem que não receberam os pagamentos da Venezuela.

Verioska diz que não importa a causa, o que ela e outros pais de crianças que estão na mesma situação querem é uma solução para o problema.

A advogada Katherine Martinez, que representa os pacientes, diz que, de setembro para cá, sete crianças que esperavam por transplantes já morreram. A Organização das Nações Unidas estima que sete milhões de venezuelanos têm necessidades urgentes de assistência e proteção. Entre elas, estão Zabdiel, Jerson, e muitas outras crianças.

*Informações da repórter Mariana Janjácomo