Frigoríficos britânicos têm irregularidades graves, diz jornal

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan em Londres
  • 24/02/2018 11h47
EFE/Jerome FavreFalta de fiscalização no processo de produção da carne não é exclusividade do Brasil

Na capital do Reino Unido a chegada da primavera foi oficialmente adiada. O mês de fevereiro está prestes a ser declarado o mais frio dos últimos cinco anos e a chegada de uma massa de ar polar da Rússia no domingo vai fazer que as temperaturas na Inglaterra cheguem a oito graus negativos.

Pelo calendário meteorológico a primavera vai começar no dia primeiro de março, próxima quinta-feira, mas essa onda de frio deve continuar por aqui por pelo menos mais uma semana. Tem até previsão de neve para Londres nessa semana…

Mas o meu assunto hoje é outro. O jornal The Guardian publica hoje uma reportagem bastante interessante para os produtores de carne no Brasil e que exportam o produto aqui para a Europa.

Vire e mexe eles são acusados de trabalhar com padrões muito abaixo dos exigidos aqui na União Europeia, que por isso as restrições de importação devem ser rígidas e por ai vai. Eu não sou especialista no assunto, mas conhecendo de perto meus vizinhos europeus sempre desconfiei que havia um quinhão significativo de protecionismo nessas acusações mesclado ao ranço preconceituoso típico do eurocentrismo.

Pois bem, essa reportagem do jornal londrino afirma que dois terços dos frigoríficos inspecionados na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte apresentaram pelo menos uma infração grave das regras de higiene e segurança alimentar.

Pelos padrões do que seria o equivalente da Anvisa aqui no Reino Unido, uma infração grave tem grandes chances de comprometer a saúde pública.

Segundo os dados compilados pelo Guardian, foram apuradas 16 infrações graves por semana nos frigoríficos ingleses entre 2014 e 2017.

Esse é um assunto grave não apenas pelo aspecto de saúde pública, mas também pela questão financeira e do comércio exterior. As negociações para o famigerado acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, que se arrastam a nada menos do que quase vinte anos, tem entre seus principais entraves a cota de importação de carne vinda da América do Sul.

Não faz muito tempo, os ingleses descobriram que várias redes de supermercado do país vendiam carne de cavalo como se fosse carne bovina.

E quem lia jornal nas décadas de 1980 e 1990 se lembra bem também do escândalo da vaca-louca, também aqui na Inglaterra.

Por essas e por outras que a minha resolução de ano novo em 2018 foi parar de comer qualquer tipo de carne. Felizmente até agora estou me saindo muito bem…

Ouça o comentário feito ao Jornal da Manhã: