Ícone do jornalismo brasileiro: relembre a trajetória profissional de Ricardo Boechat

  • Por Jovem Pan
  • 12/02/2019 06h41
Rodolfo Buhrer/Estadão ConteúdoRicardo Boechat tinha 66 anos. Ele deixa esposa e seis filhos: um homem, três mulheres e duas meninas, ainda crianças

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952 em Buenos Aires, na Argentina. Ele era filho de um diplomata brasileiro, Dalton, que trabalhava em Buenos Aires naquela época, e de uma argentina, Mercedes, que veio morar em Niterói, no Rio de Janeiro, poucos anos depois.

Boechat começou a carreira como jornalista ainda bem jovem, na década de 1970. Ele trabalhou no Diário de Notícias, um jornal carioca diário que saiu de circulação pouco tempo depois.

Já na década de 1980, Boechat passou a trabalhar como colunista do jornal O Globo. Ele chegou a ocupar o cargo de secretário de comunicação do Estado do RJ por um curto período em 1987, mas logo voltou ao O Globo.

Na TV Globo, Boechat trabalhou para o Bom Dia Brasil e para o Jornal da Globo. Saiu da emissora em 2001, foi demitido em meio a uma polêmica por causa de uma reportagem sobre as disputas de empresas no setor de telecomunicações.

Boechat também trabalhou em jornais como O Estado de S. Paulo, O Dia e Jornal do Brasil. Foi diretor de jornalismo da TV Bandeirantes, onde comandava o Jornal da Band. Também era âncora da rádio BandNews FM e tinha uma coluna semanal na revista Istoé.

O jornalista conquistou o público com uma mistura entre seriedade e carisma. Ao mesmo tempo em que fazia análises críticas, duras, ele se aproximava dos ouvintes, dos leitores, dos telespectadores. Em 2016, por exemplo, o jornalista mostrou um lado mais leve, e emprestou a voz para uma animação da Disney, Zootopia. Boechat dublou um jaguar âncora de telejornal chamado “Boi Chá”.

Os furos de reportagem e o profissionalismo de Ricardo Boechat renderam muitos prêmios. De 2006 a 2018, ele ganhou 18 prêmios Comunique-se, um recorde na premiação. Em 2016, ganhou o Troféu Imprensa de melhor apresentador de telejornal. Boechat também ganhou três prêmios Esso de jornalismo, um dos mais disputados da área.

Em um dos últimos comentários gravados para o Café com Jornal, programa da Band, Boechat falou sobre as tragédias em Brumadinho e no centro de treinamentos do Flamengo, no RJ. Boechat comentou os acontecimentos com o tom indignado que já era sua marca registrada quando falava de assuntos como esses. E, por uma última vez, nos lembrou sobre a necessidade de questionar, de cobrar explicações, de cobrar mudanças e, acima de tudo, de se importar.

Ricardo Boechat tinha 66 anos. Ele deixa esposa e seis filhos: um homem, três mulheres e duas meninas, ainda crianças.

*Informações da repórter Mariana Janjacomo