Mais da metade dos empreendedores brasileiros são negros ou pardos – porém são os que faturam menos

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2018 07h45
PixabayPara o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, o grande volume de empreendedores negros tem relação com as restrições no mercado de trabalho

Neste 20 de novembro, um dos principais assuntos relacionados à Consciência Negra é a atuação dos afrodescendentes no mercado de trabalho. Apesar da crise enfrentada pelo país nos últimos anos, a parcela da população que mais sofre com a desigualdade no Brasil tem crescido em meio à busca por oportunidades.

O empreendedorismo negro tem assumido um papel determinante para a economia brasileira.

De acordo com relatório Donos de Negócio no Brasil, elaborado pelo Sebrae com dados do PNAD 2013, mais da metade dos empreendedores brasileiros são negros ou pardos. Porém, são os que faturam menos e têm mais dificuldades para conseguir empréstimos em bancos.

Para o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, o grande volume de empreendedores negros tem relação com as restrições no mercado de trabalho.

Mariano alertou que as principais restrições atingem de forma mais incisiva as mulheres negras, que enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho.

Entre as ações particulares para reduzir os problemas está o movimento “black money”, que visa promover iniciativas de negros para o consumo de outros negros.

Apesar do ritmo lento, o mercado publicitário também tem evoluído no que diz respeito às oportunidades. De acordo com a agência Heads, da ONU Mulheres, o percentual de homens negros em comerciais saiu de 1% para 11%, entre 2014 e 2017. Já entre as mulheres negras, o índice subiu de 4% para 16%.

De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Brasil possui atualmente cerca de 11 milhões de empreendedores afrodescendentes.

*Informações do repórter Matheus Meirelles