OMS: Dengue, HIV e movimento anti-vacina figuram em lista de ameaças à saúde em 2019

  • Por Jovem Pan
  • 31/01/2019 06h37
Marcelo Camargo/Agência BrasilA vacinação previne de dois a três milhões de mortes por ano, e mais de um milhão poderia ser evitada com a melhoria da cobertura vacinal

A Organização Mundial da Saúde divulgou uma lista com as dez principais ameaças mundiais à saúde em 2019. De acordo com a OMS, a poluição do ar e as mudanças climáticas são os maiores risco para este ano.

Em segundo lugar aparecem as doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças do coração, responsáveis por 70% das mortes no mundo. A gripe figura em terceiro.

A Organização afirma que o mundo enfrentará outra pandemia de influenza, mas diz que não sabe o quão severa ela será. Mesmo em oitavo lugar, os movimentos anti-vacinas também são uma preocupação para a OMS.

De acordo com a agência da ONU, a hesitação em vacinar, mesmo com medicamentos disponíveis, ameaça reverter o progresso alcançado na prevenção de doenças.

O infectologista do Hospital Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn, relembrou os surtos de sarampo no Brasil: “nós tivemos alguns locais com surto, especialmente no Norte, mas cidades no Sul e Sudeste também tiveram a circulação do vírus. Com isso, a chance de epidemia volta a ser muito grande”.

A vacinação previne de dois a três milhões de mortes por ano, e mais de um milhão poderia ser evitada com a melhoria da cobertura vacinal. Locais frágeis e vulneráveis, que permitem a falta de cuidados básicos com a saúde, também entram na lista como grande ameaça à saúde.

A agência da ONU chama a atenção ainda para a resistência de bactérias, vírus, parasitas e fungos a medicamentos como antibióticos.

O ebola, em sexto lugar na lista, é mais um desafio para o ano de 2019, assim como a atenção à saúde nos primeiros meses de vida dos bebês. A dengue também entrou no ranking de preocupações da OMS, já que 40% do mundo está em zonas de risco da doença.

Por último está o HIV. Mesmo com grandes avanços, a epidemia ainda mata cerca de um milhão de pessoas por ano. Para o infectologista Jean Gorinchteyn, o número ainda é alto por causa da banalização: “o HIV, hoje, as pessoas banalizam o uso do preservativo e até desconhecem as profilaxias pós-exposição”.

Com base na lista, a OMS vai traçar estratégias globais para abordar as ameaças à saúde de diversos ângulos.

*Informações da repórter Marcella Lourenzetto