Pesquisas mostram que racismo e desigualdade atrapalham a economia e matam mais negros no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2017 07h30
Wikimedia commons/ReproduçãoO último levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, entre 2005 e 2015, o número de homicídios de pessoas negras subiu 18%

20 de novembro: dia da Consciência Negra, uma data que representa a luta dos negros contra a discriminação racial.

Num país onde 55% da população é negra, será que o racismo acabou? Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que – pelo menos no mercado de trabalho – ainda não.

Os dados revelam entre pessoas com o mesmo grau de escolaridade, em que a única diferença é a cor da pele, os negros ganham quase um terço a menos do que os brancos.

Homens brancos chegam a ganhar 29% a mais, e no caso das mulheres, as brancas ganham 27% a mais do que as negras.

Além disso, também há uma dificuldade de ascensão em cargos de chefia nas empresas.

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, apontou que a desigualdade racial atrapalha a economia nacional: “nós teríamos R$ 808 bilhões a mais por ano na economia no consumo, reaquecendo a economia neste momento de crise, se a disparidade salarial entre negros e brancos não existisse no nosso País”.

Enquanto o rendimento médio dos brancos foi de R$ 2.757, o dos negros ficou em apenas R$ 1.531.

Esses são resultados da “Pnad Contínua”, pesquisa do IBGE referente aos dados do terceiro trimestre deste ano.

No Brasil, negros têm menos empregos formais e ganham salários mais baixos, além de serem os que mais sofrem com a violência.

O medo da violência motivou a atriz Tais Araujo a dizer, em uma palestra no evento TEDx, que a cor do filho dela faz com que as pessoas mudem de calçada: “meu filho é um menino negro e liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol. Ele corre o risco de ser apontado como um infrator, mesmo com seis anos de idade”.

Na última semana, o ator negro Diogo Cintra, que foi espancado por dois assaltantes no Terminal Dom Pedro II, em São Paulo, após ser expulso do local pelos próprios seguranças.

Os funcionários preferiram acreditar nos bandidos do que no Diogo, por causa da cor da pele dele.

No Brasil, de cada 100 pessoas que sofrem homicídio no país, 71 são negras.

O último levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, entre 2005 e 2015, o número de homicídios de pessoas negras subiu 18%.

No caso específico das mulheres negras, a mortalidade, no período, teve um aumento de 22%.

*Informações da repórter Marcella Lourenzetto