‘Podemos precisar de uma nova reforma da Previdência daqui cinco, dez anos’, diz diretor da IFI

  • Por Jovem Pan
  • 15/07/2019 09h07
Luis Macedo/Câmara dos DeputadosO presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se emocionou após a aprovação do texto em primeiro turno

O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, Felipe Salto, acredita que pode ser preciso fazer uma nova reforma da Previdência dentro de poucos anos. Em entrevista ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (15), ele afirmou, mesmo com a aprovação das novas regras de aposentadoria neste ano, a falta de correção da idade mínima pode fazer com que outra proposta precise ser apresentada em breve.

“É difícil antecipar quando o país vai precisar fazer uma nova reforma, mas a verdade é q como não há, no texto em tramitação, a correção automática da idade minima, isso pode acontecer em menos tempo. Graças a uma série de avanços nós estamos ficado um país mais velho, mais idoso. Então quando passa o tempo, a tendência é que pessoas que chegam aos 60, 65 anos, vão viver mais, ter sobrevida maior. Por isso, as idades mínimas precisariam ser corrigidas, de tempos em tempos, por sobrevida. Sem essa correção, daqui cinco, dez anos, poderemos ter nova reforma para ajustar esses parâmetros”, explicou.

Apesar da possível necessidade de uma nova reforma, Salto garante que isso não seria “o fim do mundo”. Para ele, o importante é aprovar a atual proposta em tramitação, o que já significa um grande avanço para o Brasil. “O essencial é que o país está conseguindo avançar na reforma”, afirmou.

De acordo com o diretor, que acredita que o melhor ponto da nova Previdência é a fixação de idades mínimas, a reforma “vai melhorar muito as contas públicas. Na medida em que você avança em um tema tão importante, o primeiro efeito é a mudança dos juros da dívida pública. Não só da Selic, mas da dívida como um todo pode ter os juros diminuídos de forma mas rápida. Assim, fica mais fácil estabilizar o valor da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB).”

Salto acredita que a proposta pode ficar melhor caso haja a inclusão de estados e municípios que, para ele, é o principal problema do texto aprovado em primeiro turno do plenário da Câmara dos Deputados na semana passada.

Desidratações

O economista ressalta que a economia prevista com a reforma deve ficar um pouco inferior aos R$ 774 bilhões previtos pela IFI quando o texto saiu da comissão especial, já que sofreu algumas desidratações pelo caminho. Ele lembra que o número – que está ficando próximo ao proposto pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do ex-presidente Michel Temer) – não é o essencial, mas sim seu efeito fiscal, que “deve abrir espaço para outras medidas importantes nas contas públicas, já que a reforma, sozinha, não resolve o problema.”

Ele lembra, ainda, que a Previdência é muito mais do que a economia prevista em dez anos. “Previdência é longo prazo. 20, 30, 40 anos. Com esses número, acaba se criando um compromisso maior com a economia do que com as mudanças estruturais, que é o que importa mais. O efeito de agora é importante, mas não é o suficiente”, finalizou.