Premiê húngaro diz que política na Europa se divide entre favoráveis e contrários à imigração

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 11/01/2019 09h30
EFE/Sandor UjvariImigrantes passam por cerca em fronteira entre Hungria e a Sérvia

Qualquer um que tenha visitado a Europa nos anos 1980 e voltado mais recentemente conseguiu enxergar a olho nu a diferença no continente.

Os dados estão aí para comprovar que todos os integrantes do bloco aproveitaram muito o projeto comum, com seus ônus e bônus. Só que nada disso importa na era da pós-verdade. O que vale é a retórica do WhatsApp. Ou a hipernormalização, citada pelo documentarista britânico Adam Curtis.

O mundo se tornou algo complexo demais; então basta simplificá-lo ao extremo criando uma outra realidade mais fácil de ser explicada pela classe política e digerida pelas massas. Como fez nesta quinta-feira (10), o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um dos presentes na parca leva de líderes internacionais que prestigiaram a posse de Jair Bolsonaro na virada do ano.

Falando em Budapeste, o político extremista fez um chamamento aos seus colegas da região. Para Orbán, a política na Europa não se divide mais entre esquerda e direita. Mas sim entre quem é a favor e contra a imigração.

O objetivo do primeiro-ministro húngaro é unir todas as lideranças que são contrárias ao movimento de pessoas para tomar conta das instituições burocráticas da União Europeia numa espécie de refundação do bloco.

A fala dele foi dada na mesma semana em que Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália, e uma das figuras proeminentes da extrema-direita local, conclamou a criação de um novo eixo no bloco, entre Roma e Varsóvia – a Polônia também é governada por políticos com visões anti-imigratórias. Para Salvini, os dois países podem iniciar o que ele chamou de “primavera europeia”, quebrando a hegemonia da França e da Alemanha.

A ascensão dos movimentos de extrema-direita na Europa é inquestionável, principalmente agora com a fragilidade política na França, o Brexit, e as incertezas sobre a troca de comando na Alemanha. Mas, Paris e Berlim ainda assinam o cheque, e os italianos se desdobram para pagar as contas. Enquanto essa dinâmica persistir, será difícil reverter o eixo das coisas na Europa.