UE está insatisfeita com planos italianos e dá prazo para que Roma reveja seus planos e orçamento

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 09/11/2018 09h49
PixabayItália decidiu se endividar ainda mais para tentar implementar alguns programas sociais como a renda mínima universal

Mesmo estando na região mais rica e desenvolvida do país, dá para perceber nas ruas mesmo, à olho nu, que a Itália não vive um momento nada confortável do ponto de vista econômico e social.

Os anos intermináveis de dificuldade resultaram na eleição de um governo populista numa coalizão disforme que ninguém sabe muito bem no que vai dar.

O que já está claro é que a União Europeia não está nada satisfeita com os planos do governo de Roma e está pronta para elevar o tom.

Ontem a Comissão Europeia divulgou relatório afirmando que a Itália vai estourar as regras do bloco atingindo déficit orçamentário acima de três por cento já em 2020. A economia do país também irá crescer apenas 1,2% no ano que vem, segundo os cálculos feitos em Bruxelas.

Estes números são relevantes e antecipam mais uma crise no bloco porque a Itália decidiu se endividar ainda mais para tentar implementar alguns programas sociais, como a renda mínima universal, reverter as mudanças na idade mínima de aposentadoria e ainda congelar o imposto sobre valor agregado.

Medidas que no papel parecem inquestionáveis no aspecto social. O problema é que a Itália é o segundo país mais endividado da zona do euro, só perde para a Grécia com uma dívida que é equivalente a 131% do PIB.

A União Europeia deu prazo para Roma rever seus planos e apresentar um novo orçamento até a semana que vem. O governo de coalizão daqui considera o ultimato como uma afronta a sua soberania e diz que não vai mudar nada.

E assim o bloco, que já tem que lidar com o Brexit, com a troca de poder na Alemanha, a impopularidade do presidente francês e as relações pouco amistosas como o presidente dos Estados Unidos, tem uma nova dor de cabeça para resolver.