Uso de celular ao volante por brasileiros vai além de estatísticas, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 25/06/2019 12h49
Marcelo Camargo/Agência BrasilDe acordo com o levantamento, a proporção é de que um a cada cinco brasileiros utiliza o aparelho celular ao volante

A grande parte dos brasileiros é escrava do celular. Nem mesmo quando estamos dirigindo conseguimos largá-lo. A gente até acha que dá pra fazer as duas coisas, mas é uma combinação que, além de perigosa, custa caro.

Uma pesquisa feita pelo ministério da Saúde aponta que um em cada cinco brasileiros e brasileiras mexem no celular enquanto dirigem. Para Alberto Sabbag, especialista em Medicina do Tráfego, esse número é bem maior porque nem todo mundo assume o erro.

“Nós acreditamos, praticamente temos certeza, que o número de pessoas que utilizam é muito maior do que foi apontado. Porque, em primeiro lugar, você tem os aplicativos para o próprio trânsito. A visão não pode ser dividida. Ou você tá olhando para uma direção ou para outra”.

O especialista também chama a atenção para a perda de tempo de reação quando estamos distraídos. Além de tudo isso, a multa para quem dirige mexendo no celular é bem cara. Até 2016 isso era uma infração média, mas com o aumento de acidentes ela evoluiu para gravíssima.

Mas nem os sete pontos na carteira e a multa de quase R$ 300 fizeram com que o motorista parasse de mexer no celular. O taxista Sílvio Luis Herrera trabalha usando aplicativo, mas garante que não fica com o aparelho entre as mãos.

“Eu acho que tem que ser punido. Multa, fiscalização. Não dá pra ficar assim. Batida traseira, atropelamento. É tudo falta de atenção. Quanto mais punir, melhor”.

De janeiro a março de 2019 foram 370 mil multas em todo o Brasil, um crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

Marcos Souza trabalha em uma transportadora de oxigênio e não se considera um escravo do celular. “Não deveriam nem mexer no celular enquanto estão dirigindo, né. Atrapalha o trânsito, tem risco de acidente. Direto vejo gente vendo o celular”.

O levantamento do Ministério da Saúde ouviu mais de 52 mil pessoas entre fevereiro e dezembro de 2018.

*Com informações do repórter Victor Moraes