Vale diz que é maior a possibilidade de que queda de talude não interfira em barragem em MG

  • Por Jovem Pan
  • 29/05/2019 07h16
Reprodução/Google MapsBarragem Gongo Soco, em Barão dos Cocais

A eventual queda do talude da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, pode não interferir na barragem Sul Superior, que contém rejeitos de minério. Segundo comunicado emitido pela Vale nesta terça-feira (29), as últimas análises apontam para a “maior probabilidade” de que o material do talude deslize para dentro da cava da mina.

Essa hipótese, segundo a mineradora, diminui a chance de impacto na barragem, que já está em nível máximo para rompimento desde o dia 22 de março.

O diretor de Operações da Vale, Marcelo Barros, afirmou que a empresa segue monitorando a situação em Barão de Cocais.

“Tanto o talude quanto a barragem eles são monitorados 14h por dia e toda a previsão é revisada diariamente. Há uma grande possibilidade do talude, uma vez deslizando, se acomode dentro da cava, sem maiores consequências”, afirmou Barros.

Marcelo Barros disse que a Vale está fazendo esforços para que a cidade volte à rotina com segurança, inclusive com a reabertura de agências bancárias.

Durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara, o diretor geral da Agência Nacional de Mineração, Victor Hugo Bicca, disse que existem duas situações possíveis em relação ao talude de Barão de Cocais.

Ou um rompimento ou uma acomodação lenta e gradual no fundo da cava. “Torcemos para que a segunda possibilidade efetivamente seja a que venha acontecer porque  o risco disso provocar um abalo sísmico se reduz de forma significativa”, afirmou Bicca.

Também nesta terça-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal liberou o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman da obrigação de depor na CPI de Brumadinho no dia 4 de junho.

O relator do pedido, ministro Gilmar Mendes, afirmou que uma pessoa não pode ser obrigada a colaborar com uma investigação contra si.

No voto, o magistrado facultou a Schvartsman o comparecimento ou não à CPI. “Ora, se o paciente não é obrigado a falar não faz qualquer sentido que seja obrigado a comparecer no ato a menos que a finalidade de registrar as perguntas que de antemão todos já sabem que não serão respondidas”, disse Mendes.

Foi aprovado o relatório da comissão mista do Congresso que analisa a MP 875, que trata de auxílio emergencial para as pessoas atingidas pelo rompimento da barragem em Brumadinho.

O texto prevê o repasse de R$ 600 para as famílias, e quem receber a ajuda não precisaria deixar os programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família. A Media Provisória ainda vai ser analisada na Câmara e no Senado.

*Com informações da repórter Afonso Marangoni