Vale tem lucro de empresa de primeiro mundo, mas indenizações são de terceiro, critica advogado

“Lucros são de empresa de primeiro mundo, porque indenizações têm de ser de terceiro?”, questionou

  • Por Jovem Pan
  • 22/04/2019 08h44
EFEO pedido é que a Vale pague, por cada uma das vítimas, o valor de R$ 10 milhões em indenização

A defesa da família que teve quatro integrantes mortos na Pousada Nova Estância após rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho em janeiro deste ano, entrou com ação por danos morais no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O pedido é que a Vale pague, por cada uma das vítimas, o valor de R$ 10 milhões em indenização.

Camila Taliberti, seu irmão Luiz Taliberti e sua companheira Fernanda Damian, grávida de cinco meses de Lorenzo, vieram da Austrália e se hospedaram no local para festejar a chegada do bebê, mas morreram na tragédia.

O advogado responsável pela ação, Roberto Delmanto Júnior, afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, que foram feitos três pedidos ao TJ e defendeu que o valor “não é abusivo” e comparou o ressarcimento por danos morais em países de primeiro mundo.

“O Brasil precisa mudar em termos de reparação de danos morais. Hoje são até mil salários-mínimos, R$ 1 milhão, para casos de morte, mas todo ressarcimento de dano moral tem caráter punitivo. A empresa precisa sentir”, disse. “Quem chegou a esse valor de R$ 10 milhões foi a Vale em estudo. Ela tem ações na Bolsa de Nova Iorque, se tivesse rompido a barragem lá, as indenizações seriam muito superiores. Os lucros são de empresa de primeiro mundo, porque indenizações têm de ser de terceiro mundo?”, questionou.

O advogado dos familiares das vítimas de Brumadinho ressaltou ainda que a Vale teria um prejuízo pequeno perto do lucro que obteve em 2018. “A Vale teve lucro de R$ 25 bilhões no ano passado. Se pagar R$ 10 milhões para cada família das 277 vítimas, a Vale terá ‘prejuízo’ de R$ 2 bilhões, que são 10% do lucro. O investidor em Nova Iorque, em vez de receber US$ 1 milhão de lucro, receberia US$ 900 mil”, explicou.

Os outros dois pedidos feitos pela defesa foram que a Vale coloque foto da família morta em todas as sedes da empresa no mundo com a frase “A vida vale mais que o lucro”, além de que em todas as assembleias de acionistas seja respeitado um minuto de silêncio em memória das vítimas, além da leitura dos nomes vitimados na tragédia.

Sobre a ação, Roberto Delmanto Júnior aconselhou famílias com menor poder aquisitivo e que podem se deixar seduzir por ofertas menores de indenização: “não aceitem acordos pífios, lutem por seus direitos”.

“Gostaria que esta ação pública sirva de exemplo, de parâmetro a outros advogados, porque é necessário ter advogado. Famílias sem recurso podem fazer ação idêntica a que eu fiz pedindo antecipação de tutela”, finalizou.

Confira a entrevista completa com o advogado Roberto Delmanto Júnior: