EAD cresce no Brasil e tenta se livrar de imagem negativa

  • Por Jovem Pan
  • 15/01/2018 16h18
PixabayO abandono do curso à distância é maior do que em cursos presenciais

Os primeiros meses do ano marcam um período de vestibulares e matrículas em instituições de ensino superior. No caso de 2018, as faculdades que oferecem o ensino à distância, ou EAD, devem registrar uma grande expansão dos negócios.

O crescimento já foi registrado na segunda metade do ano passado, quando o número de polos aumentou quase 90 por cento.

A expansão se deve aos primeiros resultados do marco regulatório do Ministério da Educação, que flexibilizou as normas do setor em junho de 2017.

Esse crescimento acelerado traz dúvidas sobre a manutenção da qualidade de ensino, já que nessa modalidade, as matrículas e mensalidades acabam tendo valores menores que os cobrados instituições tradicionais.

Ryon Braga, presidente da Uniamérica e diretor da Atimã Educar, ressaltou que o MEC não permite uma queda considerável na qualidade do ensino à distância.

“Esse aumento quantitativo num primeiro momento afeta a qualidade, porque surgem novos cursos sem ainda o reconhecimento e comprovação de sua eficiência”, reconhece Braga. “Mas isso não é ruim. O aumento da oferta é muito bom”, ponderou. Com o monitoramento do MEC, projeta, “a qualidade gradativamente vai crescer”.

O presidente da Uniamérica e diretor da Atimã Educar destacou ainda que o EAD também tem crescido no Brasil porque tem ampliado o portfólio de opções, oferecendo cursos de engenharia e relacionados à área de saúde.

O Ministério da Educação apontou que os cursos a distância são avaliados pelos mesmos critérios dos presenciais, o que expõe as instituições a possíveis sanções, como corte de vagas e cursos, em casos de maus resultados.

Conselheiro da Associação Brasileira de Ensino à Distância, professor Renato Bulcão, atribui à guerra de preços, que derrubou os valores dos cursos à distância, à crise econômica.

“Existe um limite para ofertar um determinado curso. Claro que essa guerra de preços ocorreu em decorrência da crise de 2015”, disse, lembrando que a ideia era a de ajustar os valores das mensalidades à capacidade econômica das classes C e D.

O professor Renato Bulcão também criticou os preços agressivos usados por instituições privadas que pertencem a fundos de investimentos.

Dados do Enade indicam que o desempenho de alunos de cursos a distância, em geral, é inferior a de estudantes presenciais. Na graduação online, em média, apenas 30% dos matriculados concluem o curso, contra 50% no ensino presencial.

Reportagem de Matheus Meirelles ao Jornal Jovem Pan: