Queda dos juros vai aquecer mercado imobiliário, diz presidente da Fenaci

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2018 16h19
Arquivo/Agência BrasilRedução da Caixa pode incentivar outros bancos a diminuir os juros e aquecer o mercado, afirmou Joaquim Ribeiro

Nesta segunda-feira (16), a Caixa anunciou redução das taxas das linhas de financiamento para a compra de imóveis pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), onde estão enquadrados imóveis de até R$ 800 mil para todo o País, exceto RJ, SP, MG e DF, onde o limite chega a R$ 950 mil. Valor da taxa mínima de juros caiu de 10,25% para 9% ao ano. Já para os imóveis enquadrados no sistema, mas com valores acima dos limites, taxa caiu de 11,25% para 10% ao ano.

Para Joaquim Ribeiro, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci), as notícias são positivas para o setor, que deve ter um estímulo nos próximos meses, e podem iniciar uma disputa entre outros bancos.

“A Caixa não anunciava um corte desde novembro de 2016. Os bancos privados já tinham feito isso, o que é bom para o mercado porque, com os juros caindo, como é um financiamento de 20, 30 anos, dá um reflexo positivo na aquisição do imóvel. Como os juros vêm caindo no Brasil, isso pesa muito no financiamento imobiliário à longo prazo. Um ponto percentual significa muito no final. Então, acredito que os bancos vão se interessar cada vez mais em fazer esse tipo de financiamento, e a população, claro, deve procurar mais por este tipo de investimento. Sabemos que o processo ainda é tímido, mas deve melhorar do segundo semestre em diante”, afirmou Joaquim, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

“Por outro lado, sabemos que a Caixa enfrentou algumas dificuldades. Mesmo assim, precisamos ter esse financiamento. O crédito imobiliário, de uma maneira geral, é apenas 10% do PIB no Brasil. Em outro países, representa 80%. Ou seja: no País, ainda se financia muito pouco. E mesmo que ainda exista o risco da inadimplência, ela é de apenas 1,8%. Isso incentiva os bancos a emprestar, porque o risco é quase zero e tem muita gente, em uma faixa etária de 20 a 35 anos, que querem ter o seu imóvel. Então, nós precisamos, sim, ter esse tipo de financiamento”, analisou ele.

Por fim, Ribeiro ainda fez um comparativo sobre o atual momento do mercado imobiliário com a incerteza política do Brasil. Segundo ele, a “tradição de segurança” de um imóvel pode ser crucial para a continuidade de crescimento do setor, principalmente quando as eleições de 2018 estiverem mais bem definidas.

“A sorte é que a política descolou da economia. É por isso que está melhorando. Apesar dessa insegurança e do medo, em um ano em que vamos ter eleições, quanto mais se aproximar esse momento, com um quadro mais claro dos candidatos, as pessoas começarão a procurar investir em imóveis para diversificar um pouco. O imóvel tem uma tradição de garantia, de segurança. Ao invés de deixar o dinheiro aplicado, o brasileiro pensa em comprar um imóvel e alugar. O Brasil tem uma média de taxa de retorno de aluguel de 4,3%. Com os juros baixos, ele tem a valorização do imóvel e mais esses 4,3%. Então, o aluguel deve se tornar um excelente negócio”, finalizou.