Senado inicia CPI para investigar juros abusivos dos cartões de crédito

  • Por Jovem Pan
  • 16/05/2018 15h22
Agência BrasilMedo da inadimplência e baixa competitividade são entraves à redução dos altos juros praticados pelos cartões de crédito no Brasil

Medo da inadimplência e baixa competitividade são entraves à redução dos altos juros praticados pelos cartões de crédito no Brasil. No Senado, uma CPI vai investigar as razões para essas cobranças abusivas das taxas da modalidade.

De acordo com especialistas, o uso do sistema de pagamento se tornou mais comum a partir da estabilidade da moeda após a criação do Real em 1994. E a partir de primeiro de junho, termina a exigência do pagamento mínimo de 15% da fatura, com cada banco podendo definir um valor.

Segundo Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, as taxas acabam sendo maiores porque os riscos envolvidos nessas transações são muito altos. Além disso, ele afirmou que o Cadastro Positivo pode ser uma alternativa importante para a redução dos juros.

“É preciso considerar que existe no Brasil uma série de fatores que leva spreads bancários a serem os mais elevados do mundo. No Brasil, segundo estudos do BC, grande parte desse spread bancário se dedica a pagar pela inadimplência, que é uma das mais elevadas. Então, há uma série de custos, o chamado ‘Custo Brasil’, que acaba afetando a indústria”, apontou Loyola.

Já o diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs), Ricardo Barros Vieira, destaca que o parcelado sem juro é uma característica nacional, uma vez que 52 milhões de brasileiros possuem cartões de crédito.

“Essa é uma distorção que acontece no mercado do brasil que torna difícil a comparação com outros mercados. 75% de tudo o que é transacionado no cartão de crédito não tem, por parte dos portadores de cartão no Brasil, qualquer pagamento de juros ou taxa. Se a gente comparar isso com os EUA, é justamente o contrário. O que nós comentamos com o BC é que o Brasil precisava para trabalhar a questão do cartão de crédito é começar a perseguir padrões mais internacionais de financiamento”, afirmou Vieira.

*Com informações do repórter Thiago Uberreich