“Ligação do PCC com políticos é mais lenda do que verdade”, diz procurador de Justiça

  • Por Jovem Pan
  • 07/11/2017 11h45
Johnny Drum/ Jovem Pan

A história do surgimento e desenvolvimento do PCC sempre foi envolta em detalhes nebulosos que, muitas vezes, são mais mitos que verdades. Depois de anos colhendo depoimentos das maiores lideranças da facção, o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino destrinchou a história da organização criminosa no livro “Laços de Sangue – A História Secreta do PCC” junto com o jornalista Claudio Tognolli.

No Jovem Pan Morning Show desta terça-feira (7), Christino falou sobre um dos grandes mitos que cercam o PCC: a ideia de que a organização está associada ao meio político.

“Essa ligação do PCC com políticos é mais lenda do que verdade. A atuação deles não tem esse contato”, afirmou. “A situação na qual o PCC se criou e se desenvolveu não guarda conexão ou relação com o aspecto político. Eles se desenvolveram dentro de uma esfera aparteada e jamais quiseram tomar parte do poder político em si”, explicou.

Outra “lenda” é a história de que o PCC nasceu em 1993 com a rebelião que aconteceu no em Anexo da Casa de Custódia de Taubaté. “Em 1993 eles se apresentaram de forma mais forte, mas os rastros de liderança [da organização] já estavam presentes desde 1991. Desde 1991 eles matavam e executavam”, falou.

E com os anos, a organização criminosa passou por mudanças significativas até se tornar o que é hoje. “Hoje o PCC é o primeiro cartel brasileiro de tráfico de drogas e o objetivo deles é dinheiro e lucro. Por isso, eles farão qualquer tipo de atividade, seja roubo ou sequestro, desde que tenham retorno”, disse Christino.

O procurador de Justiça ainda explicou que uma das preocupações do PCC é se manter longe dos “holofotes” e não ser identificado nos crimes. “Eles evitam situações cinematográficas que chamem a atenção para se tornar um cartel anônimo. Eles conseguem lucro e se esquivam da repressão”, falou.

Analisando a época em que o PCC eclodiu, o procurador de Justiça reconheceu que o Estado falhou ao tentar conter o avanço da organização criminosa. “A evolução deles talvez pudesse ter sido combatida de maneira mais eficiente se houvesse compreensão e interação entre as diversas esferas. Faltou interação no Estado”, observou.

Ainda assim, para Christino, o Estado demorou, mas conseguiu reprimir um crescimento considerável da facção. “O crescimento deles foi obstado várias vezes. Eles poderiam estar muito mais fortes, mas teve uma ação que conseguiu reprimir eles até certo ponto”, falou.