Cíntia Chagas: Há uma ‘esquerdização’ da redação do Enem pelos avaliadores

  • Por Jovem Pan
  • 14/11/2018 12h13
Johnny Drum/Jovem PanPara ela há uma esquerdização nas avaliações de redação do Enem

A professora Cíntia Chagas está lançando um livro para aqueles que são péssimos em português, mas querem melhorar sua escrita e fala, além de ler boas histórias. A autora de “Sou péssimo em português — Chega de sofrimento! Aprenda as principais regras de português dando boas risadas” foi a convidada desta quarta-feira (14) do Morning Show para debater a prova de linguagens e a redação do Enem.

Chagas não poupou críticas ao exame. Para ela, há uma “esquedização” da redação pelos avaliadores, isso porque o método de avaliação, como ela explica, requer uma proposta de solução para o problema apresentado e isso é um problema, pois os professores que corrigem as redações utilizam critérios “muito subjetivos” na avaliação. Ela ainda aponta que não é raro que redações que recebem nota máxima tenham erros gramaticais. Para ela, isso comprova que a ideologia de esquerda é mais bem aceita. “As redações nota mil são aquelas que citam minorias e conhecimentos que não são aprendidos na escola. Em muitas delas esse conhecimento é sobre Marx”.

“É óbvio que se um aluno diz que tem que matar não é ok, mas é preciso bom senso. O aluno deveria ter direito de ter seu posicionamento. Por exemplo, se um aluno tiver bons argumentos e quiser defender a pena de morte, acho que ele deve ser bem avaliado por isso [pelo texto]”, argumentou.

Ainda sobre a redação, Chagas revelou que ensina seus alunos de cursinhos preparatórios a “esquerdizar” nas redações para que possam tirar notas melhores. “Eu oriento os alunos a ‘esquerdizar’ e faço isso com muito pesar”, desabafou.

Já sobre a polêmica envolvendo a questão sobre o dialeto Pajubá, utilizado por gays e travestis, Chagas disse que achou questão “comum e boa do ponto de vista interpretativo”, porém, não deixou de pontuar que não acha a prova de linguagens do Enem tão boa. Bastante crítica do modelo de avaliação, ela explica que há um privilégio para questões interpretativas.

“Quase tudo que está ali é meramente interpretativo, eu optaria por colocar um Érico Verissimo, Machado de Assis. Acho que podemos misturar, ter um rap ali, mas é necessário que haja questões sobre as escolas literárias. São 45 questões e não há uma sequer cobrando realismo ou figuras de linguagem”, analisou.

Sou péssimo em português

O livro de Cíntia Chagas foi lançado no último dia 15 de outubro. Agora, a autora está viajando para participar de lançamentos em livrarias pelo Brasil. No próximo dia 22 de novembro, a autora estará em Brasília. De lá ela segue para o Rio de Janeiro, onde desembarca em 27 de novembro.

A publicação reúne mais de 30 contos com histórias autobiográficas de Cíntia Chagas. As histórias são o plano de fundo para que a professora dê dicas de português valiosas para o dia a dia.