Diego Hypolito sobre sexualidade: ‘Achei que todo mundo soubesse’

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2019 14h21
Jovem PanDiego Hypolito foi o convidado do Pânico nesta quarta-feira (15)

O ginasta Diego Hypolito virou assunto ao assumir publicamente a homossexualidade. Em entrevista ao Pânico, nesta quarta-feira (15), ele afirmou estar surpreso com a repercussão da revelação. “Achei que todo mundo soubesse”, confessou o atleta.

A primeira vez que o medalhista olímpico falou sobre a sexualidade foi em uma entrevista recente ao UOL. No Pânico, ele explicou que já estava resolvido sobre o assunto há muito tempo e prometeu que contaria a verdade para qualquer um que perguntasse. “Há muitos anos, eu neguei [a homossexualidade] em uma entrevista, aí me prometi que se qualquer pessoa me perguntasse, eu falaria. Eu falei normalmente, nem imaginava que ia ter essa repercussão toda”, disse.

Hypolito acredita que sua história pode ser um exemplo para outras pessoas. “Isso [se assumir gay] é importante para pessoas que passam pela situação que eu passei, que vêm de uma família conservadora”, afirmou. “A gente não tem que opinar sobre sexualidade, religião e etnia, tem que respeitar”, continuou o ginasta, que tem planos de contar os bastidores da ginástica, de suas participações em Olimpíadas e detalhes pessoais de sua vida em uma biografia, que já está pronta, e em um filme.

Apesar de achar que todo mundo já sabia sobre sua sexualidade, Diego Hypolito evitava se expor. “O mundo deu uma grande amadurecida, mas antigamente eu era bastante reservado, tinha medo de ir em lugares gays e ser reconhecido. Fiquei durante anos assim”, contou, confessando que também tinha medo de perder patrocinadores por causa da sexualidade.

Olimpíadas

O ginasta também lembrou de suas frustrações em Jogos Olímpicos. Em 2008, em Pequim, e em 2012, em Londres, Diego não ganhou medalha por causa de quedas. “Quando caí na primeira Olimpíada, me senti um criminoso. Demorei muito tempo para me reerguer como pessoa”, confessou.

Ele revelou que sentiu falta de ser apoiado por dirigentes da modalidade. “Minhas palavras eram duras comigo, mas eu esperava ser defendido por dirigências, por que eu tinha treinado muito”, disse. “A gente tem o hábito de criticar muito as pessoas e não ser incentivador.”

Depois da medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o ginasta sentiu que seu tamanho na história mudou. “A minha história só se tornou grande depois que fui medalhista olímpico no Rio”, disse.

Ele contou que se preparou muito para a competição e se isolou das redes sociais. No entanto, Diego ressaltou que essa não é uma fórmula do sucesso. “O Nory [Arthur Nory, medalhista de bronze] não parava um minuto no quarto. Eu ficava o tempo todo dentro do quarto, escutando música”, disse. Mas o atleta atacou quem vai para os Jogos Olímpicos só pela farra. “Quem vai para Olimpíadas pensando em suruba não está se valorizando.”