“É impossível Temer terminar o mandato”, avalia Villa após a liberação da delação da JBS

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2017 14h30
Johnny Drum/ Jovem Pan

Enquanto a delação da JBS se desenrola e as conversas são liberadas, Michel Temer continua seu mandato como presidente, mas, segundo Marco Antonio Villa, isso não deve durar muito.

No Pânico na Rádio desta sexta-feira (19), o professor analisou os recentes desdobramentos na política e afirmou que os áudios da conversa de Temer com Joesley são provas criminais.

“O que ocorreu não pode acontecer. Joesley não estava na agenda [de Temer], foi recebido na garagem, diz que está comprando o procurador da república por 50 mil reais e Temer não dá ordens de prisão como deveria. Deveria ser pedida uma ordem de prisão imediatamente”, opinou Villa.

Apesar de não renunciar ao cargo de presidente, Villa acredita que Temer não deve durar muito na posição. ”Com a permanência dele, a crise vai se aprofundar. Ele tem que renunciar porque não tem condições de governabilidade. O governo vai ficar parado”, falou.

“Acho impossível o Temer terminar o mandato dele. Ele não passa a faixa de presidente no dia 1º de janeiro de 2019. Isso é muito remoto”, defendeu.

E no caso de uma renúncia, Villa pontuou quais seriam os passos ideais para a melhor saída – que será também o maior desafio. “Se Temer sair, Maia deve assumir e rapidamente convocar eleições congressuais. Então o novo presidente eleito deve buscar o ministério mais amplo possível para levar o país até as eleições presidenciais de 2018”, falou.

Nesse caso, o presidente eleito na eleição congressual deve ser alguém “com capacidade de articulação, que consiga articular as forças políticas e entenda a etapa de transição até as eleições do ano que vem”.

Villa também ressaltou os resultados positivos da Lava Jato, que “fez até agora o que nunca tinha acontecido na história do Brasil”, mas disse acreditar que as penas para corrupção são leves e precisam ser revistas.

“A penalização tem que ser mais severa, mas não pode impedir a delação premiada”, ponderou. Ao mesmo tempo, “se tivéssemos uma pena de 30 anos e prisão perpétua, bastaria condenar uns 10 para que essa história não se repetisse”, concluiu.