“Essa energia linchadora contra Neymar é excesso”, afirma Clóvis de Barros

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2018 14h13
Johnny Drum/ Jovem Pan

Em um mundo cada vez mais radical, a prática e entendimento do conceito de gentileza pode ser uma grande arma para unir as pessoas. Nesta segunda-feira (30), no Programa Pânico, o escritor Clóvis de Barros deu uma verdadeira palestra sobre a importância de ser gentil com o próximo, tema de seu novo livro, “Shinsetsu – O Poder da Gentileza”.

O jornalista e professor universitário usou como exemplo o que vem acontecendo com Neymar, duramente criticado por muitos brasileiros e outros milhares de pessoas espalhadas pelo mundo por conta de sua atuação na última Copa do Mundo. Para ele, há um excesso contra o atleta, o que acaba atraindo “energias linchadoras”.

“Será que o rapaz que coloca o cabelo do jeito que quer, dá umas exageradas, mas também apanha muito, será que isso é suficiente por uma energia linchadora? No mundo inteiro elege-se um bode expiatório, uma figura que vai aparecer para purificar o mundo. Há uma desproporção de meios. A reação e essa tortura psicológica merece uma análise de todos, é obviamente um excesso”, disse.

No nosso dia a dia já temos diversos exemplos de falta de gentileza das pessoas, como também podemos aprender com bons exemplos de pensamento coletivo em detrimento de uma vitória individual. Desde o momento em que usamos o banheiro e entregamos limpo ao próximo. Esse tipo de respeito se propaga, cada vez mais inspirando outros a contribuírem pelo bem-estar geral.

“Deveríamos aprender a ter respeito pelo outro genérico, alguém que vai chegar depois para utilizar o banheiro, sem você inutilizar as pessoas. Tem que estar o tempo inteiro vislumbrando que se você está nessa posição hoje, amanhã você pode estar na da outra pessoa”, explicou.

E onde vamos buscar essa gentileza que nos falta? A resposta é mais simples do que imaginamos: em nós mesmos.  Os humanos possuem a capacidade de se auto analisar e buscar as soluções para a melhoria.

“Eu imagino que seja o primeiro passo a certeza de que não somos movidos exclusivamente pela busca e satisfação pelos nossos desejos e prazeres. Temos a competência de pensar, diagnosticar e pensar além do melhor para si mesmo, o que é melhor para um coletivo. Temos a capacidade ainda maior de colocar a solução melhor para todos do que procurar a satisfação de nossos prazeres”, concluiu.