“Hoje em dia é muito difícil contar piada", diz Matheus Ceará sobre ser humorista

  • Por Jovem Pan
  • 03/06/2015 13h49
Jovem Pan

Nesta quarta-feira (3), o humorista Matheus Ceará foi o convidado do ‘Pânico’ e, no bate-papo com a galera do programa, ele falou sobre a dificuldade de trabalhar com o seu tipo de humor. Um dos poucos a ainda deixar a graça de seu trabalho depender de boas histórias, Ceará afirma que não é nada fácil. “Hoje em dia é muito difícil contar piada, porque você conta uma e alguém já filma e coloca na internet, então na próxima já perde a graça”, desabafa.

Para fugir desse problema, ele contou que usa e abusa da criatividade para não deixar suas piadas caírem no comum: “é o que o pessoal fala do stand up. Eu pego a piada, a do pintinho que caiu, por exemplo, e dou um floreio. Coloco o meu stand up dentro da piada. A história dá uma mudada, mas o final é o mesmo”.

Lembrando do começo de sua carreira, ele revelou que seu sucesso veio justamente dessa inovação que procura fazer em suas apresentações, também por necessidade. “Comecei fazendo show em rodeio, que era o mais difícil de tudo, porque você não tem expressão nenhuma lá no meio da arena”, contou Matheus. De fato, na distância que ele ficava de seus espectadores, para provocar altas gargalhadas era preciso muito talento.

E até hoje Matheus Ceará trabalha com imitações que, segundo ele, não são de fato imitações. “Na verdade, eu não sou imitador. Eu faço imitação da imitação, a sátira da imitação. No meu show, a Marília Gabriela dá dica de sexo, a Maria Bethânia canta o ‘Rap das Armas’ (que ficou conhecido no filme ‘Tropa de Elite’)”, destacou Ceará. Ele ainda contou que sua imitação mais antiga é do Cid Moreira.

Ele também falou que a criatividade exige adaptação, pois o público muda de região para região. “Em São Paulo tem a gourmetização do Matheus cearense. Se eu falo rápido as pessoas não entendem, se eu uso algumas gírias. Quando eu vou para lá eu volto a ser cearense de verdade”, explicou o humorista.

De qualquer forma, Ceará reforça que é um ser humano e o fato de trabalhar com humor não o impede de ter sentimento negativos de vez em quando. “Eu posso ficar triste e cansado, mas as pessoas não esperam. A pior coisa é quando a pessoa chega para você e pede imitação ou para contar uma piada”, destacou o cearense. “ Mas se você não faz tudo vão falando que é antipático, ‘estrela’”.

Atualmente no humorístico ‘A Praça É Nossa’, atuando como ele mesmo, Matheus destacou que, ainda que se concentre no banco de Carlos Alberto, não é fácil de fazer. “A Praça eu acho que não tem como mudar, porque depende do bordão. Como vai ter a Praça sem ter o banco? É difícil pra caramba de fazer, porque só tem um banco, você vai lá, senta e conta a história e vai embora. É só texto”, comentou.