Lobão: ‘em 1989 não ia votar no PT porque achava cafonérrimo, mas optei por Lula’

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2018 14h07
João Henrique MoreiraPara Lobão o rock brasileiro virou música de velho

Nesta segunda-feira (5), o convidado do Pânico na Rádio foi o músico e escritor Lobão. Assumidamente antipetista, após se distanciar do PT, que apoiou ao governo em 2002, Lobão faz críticas duras a manifestantes de esquerda, “Em 2013 era uma galera que estava conduzida pelo pessoal da Sininho, pelos Black Blocs […] houve acontecimentos aleatórios em 2013. Eu estava escrevendo meu livro metendo o pau na Dilma, e daí veio aquela Sininho com os 20 centavos. Não havia articulação do que era contra o que. Mesmo naquela época a própria oposição estava amando a Dilma ainda”, disse.

O artista brinca “95% da população se constitui de idiotas fundamentais” e explica “Eu era petista, de 1989 a 2005 eu era petista. Eu comecei no PT, me dizem que eu era esquerdista. Eu não era, 1989 estava acabando o comunismo, eu não tinha nada a ver. Eu era tão alienado político na época do Tancredo. Quando chego ao brasil em 1989, eu não ia votar no PT porque achava ‘cafonérrimo’. No segundo turno optei pelo Lula, achei que não haveria mais problema de esquerda, tinha o baluarte da ética, vão carregar a bandeira da honestidade”.

Lobão também criticou a cena do rock no país, para ele não há novidade no rock nacional. “Qualquer sociedade civilizada tem uma cena forte de rock […] no Brasil o rock virou uma coisa de velho”, garante. Lobão ainda promete movimentar a cena do rock em 2019.

“No próximo ano estou implementando uma plataforma na cena independente. Comecei fazendo uma associação com o Soundclub e eu não levei muita fé. Mas hoje eles têm 20 mil assinaturas no site, mais de 4 mil bandas, e hoje onde vamos fazer show tem concurso de bandas independentes para abrir o show. Com isso entramos no brasil profundo, cidades pequenas. Todo mundo querendo mais Rock ‘N’ Roll, cansados de sertanejo. Tinha muita banda nova. Fui visitar a cena do Rio de Janeiro e tem bandas incríveis lá, e olha que eu saí de lá porque o RJ é um tumulo do rock, mas está começando a vir banda de rock de verdade”, garantiu.

Lei Rouanet

Crítico ferrenho da Lei Rouanet, Lobão aponta que sua primeira frustração com o PT veio com a indicação de Gilberto Gil para ministro da Cultura no primeiro mandato de Lula. “Quero renovar meu apoio ao PT contanto que nos prometam que haja educação. Citei Coreia do Sul na época, aí o Lula disse que aquilo era prioridade, que em menos de 10 anos estaríamos de vento em polpa. A primeira medida já fiquei arrepiado com o Gilberto Gil no ministério da Cultura. De repente veio Vanessa da Mata, um monte de editais para festas mirabolantes de homenagens, inventaram discos, tudo para vender o edital da Lei Rouanet”, apontou.

Para ele, a Lei Rouanet privilegia os artistas mais famosos porque deixa a escolha de qual edital será financiado a cargo dos empresários. “Um cara pequeno vai concorrer com um grande artista, é claro que o empresário vai escolher o edital do grande artista. Mas quanto mais dinheiro se dá, mais desconto do imposto de renda a empresa tem. Se há no cardápio artistas grandes, os empresários vão escolher eles. É por isso que se reconhece a tribo do coronelato”.