‘O movimento negro não quer resolver, quer se vingar’, diz o professor Paulo Cruz

  • Por Jovem Pan
  • 13/03/2019 14h33
Jovem PanPaulo Cruz e Felipe Moura Brasil foram os convidados do Pânico nesta quarta-feira (13)

O professor Paulo Cruz criticou a forma como o movimento negro tenta atualmente combater as questões que considera injustas. Em entrevista ao Pânico nesta quarta-feira (13), ele afirmou que o movimento busca vingança. “Eu transformo o meu inconformismo em ressentimento. O movimento negro faz isso, ele não quer resolver, quer se vingar”, disse.

Para Paulo Cruz, existem pessoas racistas no Brasil, mas o país não é estruturalmente racista. Especialista em história, ele lamentou o fato de personagens negros como André Rebouças e José do Patrocínio não serem estudados nas escolas. “Pegam o Rebouças, José do Patrocínio e pessoas que foram importantes para o negro brasileiro e jogam fora porque eles não foram manada. Aí todo mundo sai perdendo”, afirmou.

Ele explicou que isso acontece porque as pessoas não querem contar a história como ela de fato aconteceu por preferirem acreditar em narrativas. “As pessoas querem eleger o opressor e o oprimido, aí não tem história, só narrativa. Elas deixam de contar as coisas como aconteceram e só querem apontar dedos”, disse. “Para falar de um assunto, têm que demonizar outro.”

Atentado em Suzano

Paulo Cruz também falou sobre o atentado a tiros em uma escola em Suzano, na Grande São Paulo, nesta quarta. Ele acredita que o jovem de hoje não se sente parte de nada. “A gente já não compreende o jovem de hoje, o jovem que eu fui já não existe mais. Ele é um jovem que não se sente parte de nada, é um átomo solto, sozinho”, disse. “Para ele, matar uma pessoa é a mesma coisa que chupar uma bala, não tem nenhum tipo de constrangimento.”

Felipe Moura Brasil, que também participou do programa, afirmou que as escolas ainda são um ambiente inseguro, apesar dos debates que esse tipo de acontecimento levanta. “Fica um debate em que acaba não acontecendo nada e as escolas acabam sendo um ambiente inseguro”, disse. “Um maluco armado entra atirando e ninguém interrompe”, lamentou o diretor de jornalismo da Jovem Pan.