Eleito presidente da Câmara de SP, Eduardo Tuma acredita que o PSDB precisa se modernizar

  • Por Jovem Pan
  • 18/12/2018 15h53
Jovem Pan“Existia uma onda que tomou conta do País, mais direitista, voltada ao que [o presidente eleito Jair] Bolsonaro pregou ao longo da campanha [eleitoral]. Na verdade, veio tardia. Era para ter vindo em 2014, como no resto do mundo”, avalia Eduardo Tuma

Eleito presidente da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Eduardo Tuma (PSDB) acredita que seu partido precisa de modernizar. Apoiado por 51 dos 55 parlamentares da cidade, ele afirmou no Pânico desta terça-feira (18) que “é preciso acabar com a ditadura das minorais” e aproveitou para justificar a aprovação do 13º salário para o Poder Legislativo.

“Existia uma onda que tomou conta do País, mais direitista, voltada ao que [o presidente eleito Jair] Bolsonaro pregou ao longo da campanha [eleitoral]. Na verdade, veio tardia. Era para ter vindo em 2014, como no resto do mundo”, avaliou. “Eu acredito que o PSDB precisa se modernizar e  ter mais transparência.”

O vereador, que antes de retomar o mandato na Câmara era secretário da Casa Civil da prefeitura, ainda indicou que a legenda não pode “ficar em cima do muro” e precisa ter posições firmes a partir de agora. A visão do partido, no entanto, poderá seguir a onda bolsonarista. “O PSDB é de centro-esquerda e estamos [nos] encaminhando para a direita.”

Ditadura das minorias

Ao comentar a Declaração dos Direitos da Pessoa Humana, que completou 70 anos na semana passada, Tuma defendeu que a igualdade depende de cerca retomada de valores. “Eu preciso retomar o valor de família para construir uma sociedade mais justa, humana e igualitária”, exemplificou, ao lembrar o lema francês de “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Para ele, o excesso de liberdade criou um problema na sociedade. “O humanismo entrou demais na sociedade”, disse, referindo-se ao movimento intelectual europeu que valorizava o conhecimento para o desenvolvimento humano. “Nós precisamos resgatar outras frentes”, criticou, apontando que a luta por questões específicas facilita a fragmentação do País.

“Como é que eu vou atender às necessidades de uma sociedade atendendo cada uma das vontades desses 13 milhões [de habitantes de São Paulo]? É impossível. Nós precisamos acabar com a ditadura das minorias e retomar o que seria um consenso mais geral”, declarou. Eduardo Tuma foi eleito presidente da Câmara com apoio de opositores como o PT.

Décimo terceiro

Questionado sobre a aprovação do 13º salário para vereadores – medida aprovada há um ano –, o tucano justificou que o pagamento foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “O vereador tem a natureza de um trabalhador, como qualquer trabalhador no País, e faz jus ao 13º [salário]. Isso foi o Supremo que decidiu.”

Segundo Tuma, cada vereador é responsável por 200 mil habitantes e isso justificaria o alto gasto com assessores, que representam o parlamentar em alguns eventos. “Nós trabalhamos de segunda a segunda. Eu não lembro quando eu tive livre um sábado e um domingo”, alegou, ao falar sobre sucessivos aumentos que parlamentares votam em benefício próprio.

Evangélicos

Membro da igreja Bola de Neve, o parlamentar disse que os evangélicos sofrem um “estigma” quando estão “em posição de poder”, ao comentar a reação de internautas a um vídeo em que a futura ministra Damares Alves conta uma história sobre Jesus subir em uma goiabeira. “Ela vai fazer [um trabalho] para o Estado brasileiro e não para a igreja.”

No Brasil, as instituições religiosas são isentas de impostos. Perguntado sobre uma possível revisão da medida, ele alegou que as taxas “atrapalhariam o funcionamento livre das igrejas”, o que – para ele – seria contrário ao que determina a Constituição Federal. “Parece, e isso não é verdade, que a igreja está querendo dominar o Estado.”