Procurador vai pedir anulação da prova completa do Enem 2016

  • Por Jovem Pan
  • 01/12/2016 14h33
Alunos procuram nome na lista do vestibular da Fuvest em ano anterior; é o mais concorrido do País após o ENEM

O procurador da República Oscar Costa Filho, do Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE), disse em entrevista exclusiva à Jovem Pan que pedirá a anulação completa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016.

Já tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife (PE) um pedido do começo de novembro de cancelamento apenas da redação do exame, devido ao acesso de alguns alunos ao tema da dissertação, realizada no segundo dia da aplicação do Enem, em 6 de novembro.

Agora, o MPF recebeu um relatório em que se aponta vazamento da prova completa, composta de 180 questões-teste mais a redação. O procurador Oscar Filho fala que “o vazamento tem como origem uma quadrilha nacional, agindo em todo o território”.

“No começo tinha sido pedida (a anulação da) a redação, mas, quando vimos na imprensa que tinha havido essas prisões no Ceará, pedimos para que viessem da Polícia Federal elementos que deem materialidade para avaliar a extensão desse vazamento”, disse Oscar Filho. “Diante disso a gente vai agora pedir a nulidade para as outras provas”, completou.

A investigação partiu de evidências obtidas com dois candidatos presos em estados diferentes (Minas Gerais e Maranhão) que teriam recebido fotos dos gabaritos da mesma origem de vazamento, conclui a PF. “Ele chegou ao local de provas com tanto com o gabarito quanto com a redação”, lembra o procurador.

Críticas

Oscar Filho também fez duras críticas ao Ministério da Educação (MEC) e ao Inep, organizadores do Enem.

“Se eles não têm condições de garantir a logística de segurança e de aplicação da prova, como está demonstrado, nós precisamos discutir as condições de possibilidade de realização do próprio Enem”, disse.

Diante da possibilidade de os vazamentos comprometerem a “lisura” do concurso, o procurador cobra que “o Inep e o MEC têm que assumir uma postura diante da população”.

Oscar Filho sugere que as próprias instituições públicas de ensino superior que usam a nota do Enem como ingresso de novos estudantes seja responsável pela aplicação do Enem. O procurador vê como “fragilidades” do Enem a realização pela fundação Cesgranrio e a distribuição dos exames pelo Correio.

Ouça a entrevista completa concedida ao repórter Anderson Costa AQUI.