Retrospectiva: da reeleição de Dilma Rousseff à votação no Senado

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2016 08h11
EFE - Presidente Dilma Rousseff fala à imprensa em visita à base aérea de Brasília

 O Brasil pode começar a se despedir nesta terça-feira de uma “agonia política” que começou no fim de 2014. Nos últimos 18 meses, a população foi às ruas protestar contra a corrupção, pelo impeachment e por um país mais justo. A votação no plenário do Senado será decisiva para o futuro de uma nação apreensiva.

26 de outubro de 2014: Dilma Rousseff, do PT, era reeleita com a vantagem mais baixa nas urnas desde a redemocratização. Dois dias antes, na sexta-feira, às vésperas do segundo turno, a Jovem Pan fez um alerta de que Dilma talvez não terminasse o seu mandato. Reinaldo Azevedo destacava a capa da Revista Veja com a matéria que indicava que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras. Já o PSDB pedia ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação do registro de Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer.

Janeiro de 2015: a posse e a promessa da presidente de que a guerra contra a corrupção devia ser uma tarefa das instituições. Um mês depois, a primeira derrota do governo: Eduardo Cunha era eleito para presidir a Câmara dos Deputados. A operação Lava Jato já estava nas ruas e investigava a corrupção na Petrobras, que sofria uma baixa: a demissão da presidente Graça Foster.

O Congresso instalava uma CPI, que teve mais bate boca do que resultados práticos e, em um pronunciamento no Dia da Mulher, a presidente Dilma culpava a turbulência internacional pela crise brasileira.

15 de março de 2015: os brasileiros vão às ruas protestar contra a corrupção, com atos em 24 capitais e Distrito Federal. Dilma Rousseff toma uma atitude emergencial: coloca o vice, Michel Temer, na articulação política, mas, no dia 12 de abril, novos atos contra o governo são realizados.

Em meio aos protestos, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, era preso durante a Operação Lava Jato. Já o Tribunal de Contas da União dava prazo para Dilma explicar as “pedaladas fiscais”. O ministro Augusto Nardes, do TCU, chamava a atenção para os crimes fiscais cometidos pelo governo.

Julho de 2015: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, envolvido em denúncias de corrupção, anunciava o rompimento com o governo. E em ritmo de crise, os petistas sofrem mais uma baixa: a Polícia Federal prende o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato.

16 de agosto: todos os estados e o Distrito Federal foram tomados para mais protestos em favor do impeachment. Na economia, o Brasil entrava em recessão técnica e o governo cogita a volta da CPMF, com direito a vaias para a presidente em pleno Congresso. O TCU recomendava ao Congresso a reprovação das contas de 2014 do governo com base nas “pedaladas fiscais”.

21 de outubro de 2015: os juristas Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal levavam ao Congresso o pedido de impeachment elaborado junto com Hélio Bicudo. O deputado e presidente da Câmara Eduardo Cunha negava ter contas secretas no exterior durante uma CPI, mas, apesar das negativas, documentos comprovariam as contas no exterior e Eduardo Cunha passaria a enfrentar um processo no Conselho de Ética.

25 de novembro de 2015: o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, era preso por suspeita de obstruir a Lava Jato. Uma conversa com ele foi gravada pelo filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás.

2 de dezembro de 2015: a bancada do PT decidia votar pela continuidade do processo de Eduardo Cunha. No mesmo dia, o presidente da Câmara dava o aval à sequência do processo de impeachment. Ainda em dezembro, Michel Temer divulgava uma carta se dizendo “vice decorativo”, o que provocaria um mal estar com Dilma Rousseff.

Na Câmara, em votação secreta durante uma sessão marcada por tumultos, os deputados elegiam uma chapa alternativa para a comissão do impeachment. Mas, o ministro do STF, Luiz Edson Fachin, decidiu suspender a formação do colegiado até o julgamento em plenário.

O jurista Hélio Bicudo estava na última manifestação do ano, em 13 de dezembro, e novamente milhares de pessoas foram às ruas contra o governo. Três dias depois, foi a vez dos protestos em defesa de Dilma Rousseff.

2016: o ano começava com o agravamento das denúncias contra Lula sobre a propriedade de um sítio em Atibaia e de um tríplex no Guarujá. O ex-presidente prestaria depoimento no Fórum da Barra Funda, em 17 de fevereiro, mas não compareceu amparado por uma liminar.

4 de março: o ex-presidente Lula é levado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal na 24ª fase da operação Lava Jato.

13 de março: um dia que entrou para a história do Brasil como uma das maiores mobilizações populares de todos os tempos. Milhões de pessoas vão às ruas, lotam a Avenida Paulista em um ato em favor do impeachment de Dilma Rousseff.

A crise política avança de forma frenética: o ministro da educação, Aloizio Mercadante, ofereceu ajuda em troca de silêncio de Delcídio do Amaral. Já o ex-presidente Lula era confirmado para o ministério da Casa Civil de Dilma Rousseff, em uma tentativa de obter foro privilegiado

Apesar das gravações que estarreceram o Brasil, liberadas pelo juiz Sérgio Moro, Lula toma posse em uma cerimônia patética no Palácio do Planalto. Mas mesmo com a euforia de Dilma Rousseff, o ministro do STF, Gilmar Mendes, suspende a posse. Já o ministro Teori Zavascki decide que a divulgação dos grampos de Lula feita pelo juiz Sérgio Moro foi ilegal e ordena envio de investigação ao STF.

29 de março: o governo de Dilma Rousseff sofre mais uma derrota, quando o senador Romero Jucá anuncia o rompimento do PMDB com a base governista.

Abril: é instalada a Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados e, no dia 17, o plenário diz sim à abertura do processo. Apesar das reações da presidente, o senado deu sequência ao processo, em meio a muito debate e bate boca. Enquanto os senadores discutiam o impeachment, o STF decidiu afastar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, das funções. Já o Senado aprovava o relatório na Comissão Especial do Impeachment.

Dois dias antes da votação em plenário, uma manobra do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, incendiava o meio político com a tentativa de suspender o processo de impeachment. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não quis nem saber sobre a decisão e, horas depois, já de madrugada o próprio Waldir Maranhão revogou a própria decisão.

O caminho para a votação do impeachment pelo plenário do Senado está mais livre do que nunca: será o princípio do fim de uma agonia de 18 meses.

Reportagem: Thiago Uberreich / Sonoplastia: Durval Júnior