Livro apresentado por Bolsonaro no JN nunca foi distribuído em escolas

  • Por Jovem Pan
  • 29/08/2018 16h02
Reprodução/TV GloboInformação já foi negada anteriormente pelo MEC

Em entrevista realizada nesta terça-feira (28) no Jornal Nacional, o candidato ao Palácio do Planalto pelo PSL, Jair Bolsonaro, tentou apresentar um livro, que, segundo seu discurso, seria distribuído pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) como parte de um “kit gay” em escolas de todo o país. O candidato disse que tomou conhecimento da publicação durante um evento chamado “9º Seminário LGBT Infantil” que teria, supostamente, acontecido no Congresso. Imediatamente foi repreendido pelos apresentadores, já que as regras diziam que nenhum tipo de material poderia ser apresentado.

Acontece que, em 2016, o próprio MEC soltou um comunicado dizendo que nunca produziu, adquiriu ou distribuiu a publicação questão, intitulada “Aparelho Sexual e Cia – Um Guia Inusitado Para Crianças Descoladas”. A obra foi desenhada por Zep (pseudônimo do autor suíço Philippe Chappuis), escrita pela francesa Hélene Bruller e editada no Brasil pela Companhia das Letras desde 2007. Ela já vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e foi traduzida para mais de 10 línguas.

“O Ministério da Educação (MEC) informa que não produziu e nem adquiriu ou distribuiu o livro ‘Aparelho Sexual e Cia’, que, segundo vídeo que circula em redes sociais, seria inadequado para crianças e jovens brasileiros. O MEC afirma ainda que não há qualquer vinculação entre o ministério e o livro, já que a obra tampouco consta nos programas de distribuição de materiais didáticos levados a cabo pela pasta”, dizia o comunicado.

Em 2013, o MEC também já havia respondido oficialmente à imprensa que “a informação sobre a suposta recomendação é equivocada e que o livro não consta no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE)”.

Após a entrevista desta terça-feira, a Companhia das Letras informou novamente em suas páginas das redes sociais que o livro citado por Bolsonaro está fora do catálogo, mas ressaltou que “a editora se orgulha de sua publicação”.