Sem Tite e sem Libertadores: relembre o conturbado 2016 do Corinthians

  • Por Jovem Pan
  • 15/12/2016 16h57

Corinthians empatou por 2 a 2 com Nacional-URU e foi eliminado

Corinthians empatou por 2 a 2 com Nacional-URU e foi eliminado

O ano mal havia começado e o torcedor do Corinthians já sentia que 2016 não seria tão tranquilo quanto o ano anterior, quando o Alvinegro foi campeão brasileiro. Do elenco que ergueu a taça no fim de 2015, apenas 12 chegaram à última rodada deste Brasileirão, e a ida de Tite à Seleção no meio do ano deixou a situação no Parque São Jorge ainda mais complicada.

O ano do Corinthians já começou com um verdadeiro desmanche em seu time titular. Foram oito jogadores vendidos, sendo seis deles de uma única vez. No começo de janeiro saíram Gil, Ralf, Jadson e Renato Augusto para a China, enquanto que Vagner Love e Malcom trocaram o Timão pelo futebol francês. Posteriormente, Felipe foi vendido ao Porto e Elias voltou ao Sporting, ambos de Portugal. Apesar de acabar prejudicando o time em campo, a venda de jogadores foi uma importante receita para o Corinthians este ano, gerando mais de R$ 100 milhões para o clube.

Ainda no começo do Paulista, o time de Tite conseguiu trazer nomes como Guilherme, Giovanni Augusto e André (que já deixou o time), mas não foi o bastante para lutar por títulos nas competições do primeiro semestre. No Estadual, o Timão foi eliminado pela sensação Audax na semifinal, enquanto que na Libertadores o time caiu nas oitavas de final para o Nacional-URU.

Dos “reforços” que o Corinthians contou no elenco, o mais indesejado era Alexandre Pato, que voltara de empréstimo do São Paulo e ainda tinha mais um ano de contrato com o Alvinegro. Uma primeira novela se desenrolou no começo do ano até um novo empréstimo para o Chelsea. Passado o período no futebol inglês, o atacante retornou ao clube paulista e, sem espaço no time, foi negociado com o Villarreal-ESP, rendendo assim R$ 10,8 milhões aos cofres corintianos, bem abaixo dos R$ 40 milhões que custou sua contratação em 2013.

Quatro técnicos em um ano

Se tinha uma coisa que o corintiano podia se orgulhar nos últimos anos era de não sofrer com trocas de técnicos no meio da temporada, algo corriqueiro no futebol nacional. Porém, desde a saída de Tite para a Seleção Brasileira, três treinadores já comandaram o time nesta temporada. O primeiro a assumir a missão de substituir Tite foi Cristóvão Borges.

Cristóvão até que pegou o time numa situação confortável, quando este ainda brigava pelas primeiras posições na tabela, mas mesmo assim não conseguiu satisfazer à diretoria e aos torcedores, sendo demitido após 18 partidas, sendo 7 vitórias, 5 empates e 6 derrotas.

No momento da demissão de Cristóvão, após a derrota contra o rival Palmeiras, o presidente Roberto de Andrade chegou a bancar o interino Fábio Carille até o fim do ano, mas o auxiliar durou apenas um mês, quando o time anunciou Oswaldo de Oliveira como novo treinador.

Com Oswaldo, a missão do time era conquistar uma vaga no G6 e entrar na Pré-Libertadores do ano que vem, mas foram apenas duas vitórias em seus nove jogos e o time paulista acabou terminando o Brasileiro na sétima colocação. O baixo desempenho culminou na demissão do treinador poucos dias após o fim do campeonato.

Nos últimos dias do ano, sem opções, o clube decidiu efetivar Fábio Carille. Apesar de ter especulados nomes como Guto Ferreira, do Bahia, e Dorival Júnior, do Santos, e até Reinaldo Rueda, do Atletico Nacional, o alvinegro apostou no nome conhecido e espera que o conhecimento do treinador com atletas da base ajude em 2016, já que time não terá muito dinheiro para contratações na temporada.

Bastidores conturbados

Se a situação do Corinthians em campo não foi das melhores, fora dele também não foi tranquilo. Enquanto que a venda de jogadores gerou uma importante quantia para o clube, o principal gasto do clube atende pelo nome de Arena Corinthians. Além de não contar com as receitas do tão prometido naming rights, a Arena também sofre com problemas de estrutura e com investigações quanto aos gastos com sua construção.

No começo do ano, uma parte do teto da entrada do estádio desabou em decorrência de infiltrações. Em novembro, a Arena foi alvo de uma série de denúncias de vazamentos de água que chegariam a 10 milhões de litros e que poderiam causar um deslizamento de terra de grandes proporções em direção à Radial Leste.

Além disso, o estádio construído para a Copa de 2014 também foi citada na Operação Lava Jato, tanto em denúncias quanto em delações. Em outubro, o presidente do conselho administrativo da Odebrecht chegou a afirmar que a Arena foi um presente da construtora ao ex-presidente Lula.

Essas questões relacionadas à Arena também atingiram Roberto de Andrade, que quase contou com um pedido de impeachment no conselho deliberativo do clube por conta de um contrato com a administradora do estacionamento do estádio que teria sido assinado antes de ele tomar posse do cargo de presidente do Corinthians.

Perspectivas para 2017

Por mais clichê que seja, o ano de 2017 para o Corinthians deve ser de correção dos erros deste ano para voltar, ao menos, para a disputa da Libertadores de 2018. Vale lembrar que o Timão terá três campeonatos distintos para garantir essa vaga: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, que na próxima temporada durará todo o ano.

Evitar um novo desmanche é essencial para a manutenção do elenco, e é possível que o desempenho do Alvinegro no campeonato afaste os jogadores dos holofotes chineses na próxima janela de transferências.

Quanto a reforços, vai ser necessário também confiar nos pedidos que Oswaldo fez antes da sua saída. O Corinthians já contratou Luidy e Jô para o ataque, e Oswaldo já buscava nomes com “experiência e qualidade”, principalmente para o meio campo e a zaga.

Resta acompanhar se o novo técnico do Alvinegro seguirá essa linha de pensamento ou mudará a filosofia de planejamento. De um jeito ou de outro, a responsabilidade de devolver o Corinthians para as primeiras colocações não será uma missão fácil para o escolhido da diretoria.