Operação Capitu: Propina era repassada em caixas de sabão, segundo Polícia Federal

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2018 13h44
Willian Moreira/Estadão ConteúdoDelator premiado, Joesley foi preso na nova operação

A Operação Capitu, deflagrada nesta sexta-feira (9), descobriu que investigados entregavam propina em “caixas de sabão”. Segundo a Polícia Federal, o dinheiro era pago em troca de decretos que beneficiavam empresários como Joesley Batista e Ricardo Saud, presos durante a ação. Vice-governador de Minas, Antônio Andrade (MDB) também foi detido.

Segundo a força-tarefa que inclui PF, Receita e Procuradoria, uma das maiores redes de supermercados do País teria participado do esquema de lavagem de dinheiro, repassando aos destinatários finais os valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições “oficiais” de campanha. Funcionários da Câmara e do Ministério da Agricultura também são alvo.

O total de doações “oficiais” feitas por empresas vinculadas e administradas por um empresário do ramo de supermercados nas eleições de 2014 totalizou quase R$ 8,5 milhões. “[Houve entrega de dinheiro] em mala, caixa de sabão. Os supermercadistas trabalham com muito dinheiro em espécie”, afirmou um integrante da ação, desdobramento da Lava Jato.

Ex-ministro teria recebido R$ 7 milhões

Além do dono da J&F, Joesley Batista, que já havia feito colaboração premiada, foram presos outros dois delatores do grupo, Demilton Castro e Ricardo Saud. Entre os 19 detidos, também está o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), sob suspeita de ter recebido propinas em um hotel de Rondonópolis (MT) – cidade que fica a 220 quilômetros de Cuiabá.

Em 2014, Geller exercia o cargo de ministro da Agricultura. Nesse período, teria beneficiado a J&F com decretos em troca de propinas. Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 7 milhões foram destinados a ele e a aliados. A defesa do deputado eleito disse que só vai se manifestar quando tiver acesso aos autos da Operação Capitu.

O inquérito policial foi iniciado em maio deste ano, a partir de declarações do corretor Lúcio Bolinha Funado sobre pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 2014 e 2015, período em que o Brasil foi governado por Dilma Rousseff (PT).

*Com informações do Estadão Conteúdo