‘Cada vez que fala, Bolsonaro desidrata um pouco a reforma’, diz presidente da comissão

Ramos comentou sua escolha em entrevista à Jovem Pan

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2019 18h30
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosImagem de arquivo do deputado Marcelo Ramos (PR-AM)

Escolhido para presidir a comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PR-AM) alfinetou o presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao programa 3 Em 1 da Jovem Pan nesta quinta-feira (25). “O presidente cada vez que fala desidrata um pouco a reforma. Se ele não falar até o final da votação, vai ajudar um bocado.”

Um dos fatores que levaram o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a escolher Ramos foi o fato de ele ser um dos integrantes do chamado Centrão, grupo que reúne os partidos PP, PR, PSD, MDB, PRB, DEM e Solidariedade. Questionado, entretanto, tentou se esquivar.

“A construção de eu ter hoje esse posto é muito maior que o Centrão. Não dá para me carimbar de Centrão. Eu tive a simpatia de diferentes líderes. Então não vão conseguir me carimbar como representante do Centrão. É muito mais que isso. Apenas na CCJ escolhi o caminho da moderação e do diálogo em um ambiente de radicalismos e extremismos. Quanto aos partidos de centro quererem ser amigos ou inimigos da reforma é simples. Se fossem inimigos, teriam derrubado o parecer. Os maiores amigos da reforma foram os partidos de centro. Eles que construíram o texto, eu participei ativamente disso. Eles construíram o texto que unificou a maioria absoluta e permitiu a votação. Votar a reforma eu posso amanhã, mas se não tiver maioria vai votar para perder”, disse, fazendo questão de diferenciar as expressões “centro” e “Centrão”.

“Criou-se uma carga pejorativa nesse negócio de Centrão. Olha o que aconteceu na CCJ! Precisamos reconhecer quando há um amadurecimento do nosso projeto político. A emenda foi aprovada na CCJ com apoio de partidos que não são da base do governo e não temos notícia de cargos oferecidos, emendas liberadas… nada. Fizemos pelo país e vamos conduzir a reforma pensando no país. Isso é uma nova forma de relação. Isso, sim, é uma nova política. Não é o governo tentando empurrar na marra projetos goela abaixo do legislativo”, completou.

BPC e aposentadoria rural

Mais cedo, Bolsonaro afirmou que o ministro Paulo Guedes aceitaria até o limite de R$ 800 bilhões de economia com a reforma em dez anos. O valor representa R$ 200 bilhões a menos do que o anunciado inicialmente de R$ 1 trilhão e é referente, especialmente, ao BPC e à aposentadoria rural. Ramos, no entanto, não se preocupa. Segundo ele, a equipe econômica já deve ter pensado em possíveis maneiras de compensar essa perda.

“O Bolsonaro esteve por 30 anos aqui na Câmara. O Onyx [Lorenzoni] esteve por um bom tempo aqui na Câmara. O secretário Marinho é um parlamentar experiente. Ninguém que conheça minimamente a relação do Executivo com o Legislativo manda uma proposta de R$ 1 trilhão achando que vai sair R$ 1 trilhão. Se mandaram é por que já tem uma margem. Se não tivessem, o presidente não daria tanta declaração que desidrata a proposta deles. Nós vamos fazer o esforço de desidratar o mínimo possível. Sou daqueles que acham que cada coisa que tira tem que ver se tem um mecanismo para compensar.”

Confira aqui a entrevista completa: